História da borracha

Quando os primeiros espanhóis pisaram no Novo Continente, viram os índios brincando com bolas que saltavam: eram feitas com a seiva leitosa de uma árvore chamada "caucho". Os espanhóis não prestaram nenhuma atenção à substância dessas bolas, pois procuravam outras riquezas como ouro, por exemplo. Passados mais de dois séculos, sábios franceses que foram medir o arco do meridiano terrestre às margens do rio Amazonas notaram que os índios utilizavam esse material para outros fins, faziam tigelas e vasilhames de "caucho".

Descobriram até que os índios obtinham esse "caucho" de uma árvore, processo que chamavam de "chorar a árvore" - uma hevea e recolhiam em espécies de tigelas um sulco leitoso que se separava rapidamente em duas partes: de um lado a água, e de outro, um líquido espesso. Os indígenas jogavam fora a água e conservavam o líquido no qual mergulhavam por diversas vezes a extremidade de bastões, para confeccionar bolas as quais secavam em seguida em fogueiras.
O francês C. M. de la Condamine levou uma amostra de "caucho" para a Academia de Ciências de Paris, mas ninguém lhe deu atenção, pois a resina apresentava um problema. Tudo que se fabricava com essa substância tornava-se pegajoso no calor e tornava-se inflexível ou esfarelava-se em baixas temperaturas. C.F Fresneau fez um par de sapatos de seiva e impermeabilizou um sobretudo com material retirado das seringueiras da Guiana Francesa. John Pristley, sábio inglês, descobriu que a substância podia tirar marcas de lápis, o que até aquela data se fazia com miolo de pão, uso que até hoje está em prática.
Em 1823 o escocês Charles Macintosh, descobriu um meio de fazer roupas impermeáveis, colocando uma camada de borracha entre duas camadas de tecido. No mesmo ano em Londres um fabricante de carruagens, Thomas Hancock, fabricou os primeiros aros de borracha. Mas só em 1839 com a descoberta do processo de vulcanização pelo engenheiro e cientista Charles Goodyear foi possível, adicionando enxofre à borracha e aquecendo a mistura, obter uma goma elástica que não se esfarela nem cola. Foi esse o ponto de partida para as aplicações práticas de borracha. Quando os ingleses perceberam sua importância, transportaram secretamente em 1876 para a Inglaterra cerca de 70 mil sementes de "Hevea Brasiliensis" do Brasil e as plantaram em suas colônias no Sudeste da Ásia. Destas sementes, 2.600 germinaram e cerca de 25 anos depois o comércio na região já estava estabilizado. Assim iniciou-se a produção no sudeste asiático, derrubando o domínio brasileiro iniciado em 1866. Atualmente a Malásia é responsável por cerca de 17% dos 6,3 milhões de toneladas de borrachas produzidas no mundo, além de utilizar a madeira das seringueiras em 80% dos móveis que fabrica. Com a segunda Guerra Mundial houve quebra na produção de borracha no Extremo Oriente e o Brasil não conseguiu atender à demanda sozinho. Surgiu então a necessidade de se criar a borracha sintética, mas isso é outra história...

Fonte: Extraído do Anuário Brasileiro da Borracha, Artefatos Leves, Edição 1997, Ano II, n° 12, Set/Out 97, Editora Borracha Atual, Pags. 10-11